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Renata Rossi

A amamentação tem sido algo muito importante para mim. Eu não me preparei durante a gestação porque não tinha a menor ideia do quão complexo é amamentar. Logo que minha filha nasceu ela veio para os meus braços e depois de nos olharmos e nos reconhecermos, ela procurou meu seio e mamou por um bom tempo. Ali, sob efeito da ocitocina, eu era só amor. Depois vieram o sangue, o suor e as lágrimas. Conciliar o puerpério com a amamentação em livre demanda não é uma tarefa fácil. Muito pelo contrário.
Mas o meu plano era aleitamento materno exclusivo até os seis meses. Não fazia sentido oferecer outro alimento para minha filha que não o meu leite. Para alcançar essa meta corri atrás das informações que não busquei durante a gestação. No período em que estive de licença-maternidade tudo correu bem, mas como ia voltar a trabalhar quando minha filha tivesse quatro meses e meio, precisava saber o que fazer para garantir a amamentação.
Foi nessa busca que encontrei um workshop promovido pela Commadre sobre amamentação e retorno ao trabalho. Fui buscar informação e encontrei mais que isso: encontrei apoio. Conheci mulheres com as mesmas dúvidas, angústias e desejos. Foi muito produtivo.
Na teoria eu estava preparada para retomar minhas atividades profissionais e continuar amamentando, me armei de tudo que era necessário: bomba para ordenha, vidros para armazenar, fraqueira térmica e gelox. Na prática as coisas foram bem diferentes: a livre demanda somada às ordenhas com a bomba hiperestimularam minha produção e meu leite empedrou. Sabia que precisava de apoio profissional e recorri à Luciane, consultora de amamentação da Commadre. Segui suas orientações e dias depois tudo voltou ao normal.
Mas ainda estávamos só começando essa brincadeira de amamentar e trabalhar fora. Tinha também a forma de ofertar o leite. Testamos colher dosadora, copinho, copo de transição… nada funcionava e eu voltaria a trabalhar em poucos dias. Fiquei desesperada e mais uma vez a Lu nos orientou, conversou conosco e acalmou nosso coração. Seguimos em frente e continuamos testando alternativas para ofertar o meu leite.
Na minha volta ao trabalho o coração apertado dos primeiros dias deu lugar a um coração tranquilo, pois eu conseguia ordenhar três vezes por dia e garantir a quantidade necessária de leite para a minha pequena, que aceitou o leite no copo de transição.
Batemos nossa meta de seis meses de aleitamento materno exclusivo, mesmo com meu retorno ao trabalho aos quatro meses e meio, mesmo sem nenhuma estrutura da empresa em que trabalho para ordenha e armazenamento. Mas isso são apenas detalhes, porque o mais importante eu tive: uma rede de apoio e informação adequada.
Hoje percebo que para a amamentação ter sucesso é preciso apoio, informação e determinação. Se você encontrar uma mulher que deseja amamentar, dê um abraço, não um palpite. Acredite: ela não precisa da sua opinião, precisa apenas do seu apoio.
Sou eternamente grata a todo apoio que encontrei com as mães e profissionais da Commadre. Essa rede de mulheres é fonte de inspiração e certamente fez de mim uma mãe ainda melhor.
Renata Rossi, mãe da Clarice.