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Danila Camara

Minha mãe não conseguiu me dar o peito. Minha sobrinha recusou o seio cheio da mãe, que foi muito mal orientada na maternidade. Meu primeiro filho, prematuro, não tinha forças pra sugar, ainda mais num mamilo plano, e por isso minha produção nunca seria adequada, segundo os profissionais que me atenderam. Eu, minha mãe e minha irmã transferimos todo nosso amor para uma mamadeira e fizemos nosso melhor dentro de um determinado contexto.
Mas ao engravidar de novo decidi brigar com qualquer coisa ou pessoa que me impedisse de amamentar exclusivamente. Entretanto, na maternidade indicaram prontamente um bico de silicone, afirmando que sem ele eu não conseguiria de forma alguma.
Os primeiros dias foram muito tensos, cheios de dor, de troca-troca de bico de silicone, de angústia, de bebê engasgando, de bronca da pediatra porque ele não ganhava peso de forma adequada, de mamilo rachado, de sangue, de muito choro.
Então, quando Gael tinha 12 dias, decidi buscar ajuda e fui até a ComMadre para conhecer esse tal de grupo de apoio ao pós parto. Era uma quarta-feira, última do mês, e pra minha sorte o assunto era justamente amamentação. Fiquei encantada com o nível de acolhimento que encontrei. Sai de lá com a consultoria em aleitamento devidamente marcada.
Tudo mudou e bem devagarzinho, um dia após o outro e com muita paciência, muita informação e apoio, eu consegui: tirei o bico de silicone, as dores acabaram, curtimos intensamente a livre demanda até os 6 meses, e ainda passei a doar cerca de 1 litro de leite materno por semana. Hoje, com 1 aninho, meu pequeno continua todo feliz no peito.
As vezes me pergunto se a equipe da ComMadre tem dimensão do quanto a casa muda vidas, transformando em realidade sonhos maternos, enchendo de abraços, respeito e amor essa fase tão delicada e intensa das nossas vidas. Gratidão eterna =)
Danila Camara, mãe do Sirius e do Gael